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quarta-feira, 8 de maio de 2024

Dias perfeitos

"Aparentemente simples em sua superfície, o filme é de uma riqueza inesgotável de sentidos e sensações. Uma sinopse possível diria que o que se narra ali são alguns dias na vida de Hirayama (Koji Yakusho, prêmio de melhor ator em Cannes), um homem solitário e lacônico de meia-idade que trabalha limpando banheiros públicos em Tóquio. 

Hirayama cultiva afeições anacrônicas: faz fotos com uma câmera analógica, ouve canções internacionais dos anos 1960 e 70 em fitas cassete, colhe mudas de plantas no bosque, etc. Mas não é alguém fora de seu tempo, muito pelo contrário. “Falam tanto em décadas e esquecem o minuto e o milênio”, dizia Caetano Veloso em seu “Manifesto do Movimento Joia”. Hirayama está pousado de corpo e alma no minuto e no milênio."

Disponível em: https://ims.com.br/blog-do-cinema/dias-perfeitos-por-jose-geraldo-couto/

To morrendo de vontade de ver esse filme, morrendo de vontade de falar ainda muitas vezes sobre a rotina e o encanto. 

terça-feira, 12 de março de 2024

Senhor aparecido

 “Era uma vez um homem muito expressivo. Bastava apenas uma olhada para ele e seu rosto logo ficava gravado na memória. (...) o senhor aparecido gostava muito de si mesmo. Ele adorava sua aparência, seus traços tão expressivos e se olhava no espelho com muita satisfação. Não é de estranhar, portanto, que depois de ter comprado um supercelular com uma câmera do modelo mais recente, ele tenha passado a tirar selfies com imenso prazer”.

Assim começa a saga do senhor aparecido, personagem principal do livro da polonesa Olga Tokarczuk, recém-lançado aqui no Brasil. Classificado como infantojuvenil para efeito de mercado, “Um senhor notável”, na verdade, é um livro “para as infâncias” que habitam o ser humano, inclusive a etária. Fábula contemporânea, narrativa distópica, retrato bem-acabado da nossa relação com as mídias digitais. Todas estas definições cabem para esta obra.

Esse senhor aparecido notável é um retrato bastante vívido de cada um de nós, habitantes desse mundo surreal. Em busca de nos tornarmos mais vistos, amados, clicados, nos embrenhamos no exercício quase ininterrupto de postar a nossa imagem em busca de outros cliques. Assim, os retratos passam a nos representar e nos apagamos em busca do que queremos mostrar. Vale tudo para caber nos padrões estabelecidos pela indústria do imaginário, em que a representação tem mais valor do que a concretude física. De tanto buscarmos nos diferenciar para sermos vistos, nos tornamos monotonamente iguais.

 ALVES, J.C. O senhor aparecido e o que ele tem a ver conosco. Disponível em: <https://www.nexojornal.com.br/>. Acesso em: 09 dez.2023.

domingo, 10 de março de 2024

Porque às vezes só escrevendo me entendo

"Pois o que o poeta consegue expressar com as imagens é a transposição poética da sua angústia pessoal de alheamento. (...) Na verdade, para o poeta angustiado todo poema é um desencanto, um produto desconsolador de ambições profundas mais ou menos definidas, de um balbucio existencial que se agita e urge, e que só a poesia do poema (não o poema como produto estético) pode, analogicamente, evocar e reconstruir."

CORTÁZAR, Julio. Para uma poética. In: Valise de cronópio. 2ª edição. Perspectiva: São Paulo, 2019.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Mais uma leitura para o futuro

 Rubem Braga, cujo ofício era driblar os grandes acontecimentos, mirou seu radar noutra bola, infinitamente menor e mais próxima: uma semente trazida pelo acaso ao seu jardim. O enredo, por assim dizer, é ínfimo. Surge um broto. Quase morre. Um amigo diz ser capim, outro afirma ser cana. Descobre-se, depois, ser mesmo um pé de milho, que cresce e é transplantado para o canteiro diante da casa. Fim.

Ao narrar este acontecimento minúsculo, porém, Braga vai criando uma insuspeita identificação entre si e a planta. Num mundo complexo e assustador, em que parecemos evaporar diante de acontecimentos astronômicos, o narrador agarra-se ao pé de milho como este finca as raízes na terra. Deixa de ser, ele também, “um número numa lavoura”. Do banal pro profundo. Do barro à vida. Metonímia “no úrtimo”. Isto é uma crônica.

PRATA, A. Rubem Braga e ‘Breaking bad’. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 30 ago. 2022. [Fragmento adaptado]

domingo, 21 de janeiro de 2024

Estrangeira de todos

O vandalismo na porta da UERJ me fez rir mais do que eu deveria. Eu sabia que era errado, que jamais faria algo assim, mas o sentimento de ver o nome da minha casa, num lugar em que eu ainda não pertencia, falou mais alto e eu ri sem parar por uns dez minutos. Depois disso eu não conseguia passar por aquele corredor sem olhar pra porta com carinho e ver que aquele vandalismo escancarado tinha um pedacinho de mim e, mesmo que isso não faça o menor sentido, esse foi um fator que me fez sentir pertencente à FFP a partir daquele dia.

Esses dias, no trabalho, peguei a demanda de uma fornecedora para avaliar e a primeira questão tinha um poema do Eucanaã Ferraz. Olha. Eu não sou grande conhecedora de poesia, nem sei avaliar o nível de fama dos poetas contemporâneos, mas algo me disse que essa fornecedora tinha que ter tido aula com ele na UFRJ pra chegar ao ponto de colocar um poema dele na demanda de elaboração. A questão estava bem ruim, tive que refazer e tirar o poema dele de lá, porque não servia para o propósito gramatical que estávamos buscando avaliar. Ainda assim, aquele pedacinho de Rio de Janeiro num trabalho que me transporta diariamente a Minas todos os dias me deixou muito feliz. 

Tenho estado assim ultimamente, procurando familiaridade nas coisas, me sentindo estrangeira nos lugares.


Ainda quero fazer uma camisa disso, apesar de saber que é vacilo.


domingo, 17 de dezembro de 2023

BGA e crochê e vinho branco e amigo oculto e Tai e Miguel e karatê e quem sabe um karaokê?

 Nas últimas semanas estive muito próxima dos meus amigos e isso me fez muito bem, muito bem. Nos encontramos presencialmente na casa do Guimarães para jogar Wingspan, me mandaram mensagem e eu ainda estava no karatê. Saí correndo para me arrumar, a gente cozinhou, comeu, jogamos e ninguém bebeu e rimos como se não houvesse amanhã (até duas da manhã). 

Depois teve o aniversário do Rafael, a proposta era peregrinar por 29 bares, mas só conseguimos fechar 12. Bom, pelo menos eu fiz doze, acho que ele fez 13 só por desencargo de consciência. Tive mil confraternizações de fim de ano, algumas que nem pude ir, mas fui convidada! No crochê, no corte e costura, no karatê, no grupo dos esquisitos, no mestrado. Amanhã vou encontrar o Tai pra trocar presente de natal. 

Miguel quer marcar mais uma vez no shopping, vi Yasmin um pouquinho no Mc Donald's aqui atrás de casa mesmo. Estou tão rodeada de amor e de boas coisas esse dezembro... Que lindo. Dá vontade de ir num karaokê e cantar mil músicas bobas, sem buscar significados profundos em nenhuma delas. Vou deixar anotado aqui, porque já comecei a cantar de hoje.

- Medo bobo (Maiara & Maraisa)
- Supera (Marília Mendonça)
- Regime fechado (Simone e Simaria)
- Menina solta (Giulia Be)

Quem vê até pensa que eu ouço essas músicas no dia a dia. Elas são ótimas para momentos como esse que eu estou vivendo agora, de só querer cantar alto e exorcizar alguns sentimentos ou só cantar mesmo (?). É possível que nada tenha significado? 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Bernoulli

 O primeiro e-mail eu recebi num sábado pela manhã, achei até que fosse vírus. Eu me lembrava vagamente de ter mandado currículo para uma oportunidade dessas que vem pelo meu e-mail, em sites como Indeed (que acham que eu moro em Curitiba e eu não consigo alterar minha localização de jeito nenhum nas configurações). 

Mas tinha que clicar num arquivo word, então fiquei receosa, mas o celular que lute, os endereços de e-mail e assinaturas fofas em imagem pareciam suficientemente boas pra mim. Pois eu cliquei e era verdade, eu tinha uma reunião para a segunda-feira 4/12, bem no meio da tarde, num horário impossível de ir e voltar da UERJ FFP da segunda aula. 

Aconteceu de ter uma crise de estômago assim que acordei e nem me levantar da cama, nem para a aula da manhã eu fui. Mas indo nove vezes ou não ao banheiro, me arrumei, me maquiei e me preparei pra entrevista a tarde. Planejei mil vezes o que eu ia dizer, fiz rascunhos, post-its na parede são a minha marca, fala sério. 

Alguns dias depois dessa entrevista recebi a notícia de que havia avançado para as próximas etapas (que ainda eram muitas, mas eu tinha avançado e nada disso importava). Comentaram sobre uma prova de quatro horas de duração, um teste comportamental, um de raciocínio lógico e uma entrevista técnica. 

Primeiro fiz a prova de quatro horas, nela constava diversos exercícios que avaliavam, respectivamente: meu conhecimento técnico de resolução de questões objetivas e discursivas, de que forma eu montava um gabarito em linguagem acessível ao aluno, de que forma eu desenvolveria uma questão no modelo ENEM e como eu resolveria dois problemas cotidianos da empresa sem afetar o calendário ou o planejamento semanal. 

Passei nessa prova também. Automaticamente pensei "Estão me deixando sonhar" e esperei as próximas etapas. Recebi um e-mail com uma lista grande de palavras que eu deveria marcar relacionando conceitos que a empresa e equipe esperam de um profissional no meu cargo, marquei 15 palavras, tentei equilibrar adjetivos de ordem técnica (organizado, disciplinado) e de ordem psicológica (calmo, criativo). Sei lá se isso de adjetivo de ordem técnica ou psicológica realmente existem, mas fez sentido na hora. 

Então pensei, "Acabou?" Nãaaaaaaaao. O teste de raciocínio lógico foi o mais interessante, apesar de me deixar muito tensa. Havia perguntas de sequências matemáticas, sequências de imagens, palavras que se relacionavam, premissas que resultavam numa conclusão (verdadeira, falsa ou inconclusiva) e problemas de porcentagem. 

Fiz o mais rápido que pude apenas as que tinha certeza de que sabia o que estava respondendo e não chutei aleatoriamente nenhuma pergunta. Sabia que não daria tempo de fazer todas as perguntas, porque eram 50 em 12 minutos, mas que eu tivesse um número grande de acertos no que eu fiz de verdade. Bom, essa foi a minha lógica no teste de raciocínio lógico kkkkkkk

Na entrevista técnica eu falei horrores. As moças me fizeram cerca de três perguntas e me deixaram livre para falar. Esse foi o erro delas, AHÁ! Eu falei um monte. Falei quase tudo que havia anotado nos post-its ao redor do computador, falei que procurei por colegas do mesmo cargo no Linkedin, deixei claras minhas ideias a respeito da educação, dos materiais didáticos e da responsabilidade que a academia tem de devolver para a sociedade o investimento que recebe do governo (principalmente a Letras em forma de conteúdo para o ensino básico). Olha, eu só sei que quando vi o relógio já tinha batido meia hora de entrevista. 

Disseram-me que o resultado viria apenas na segunda-feira, porque havia outros candidatos etc. Porém. Porém. Cerca de 40, 50 minutos depois eu recebi uma ligação da Líder da Tribo que estava na entrevista. Ela me parabenizou e explicou que a burocracia não as permitiu esperar até a próxima semana para me dar a notícia, porque queriam que eu começasse JÁ. 

E foi assim que eu conquistei a minha vaga de Analista Pedagógico Pleno na empresa mineira Bernoulli. Estou com o coração a mil, tudo que eu quero é honrar essa oportunidade e colher os frutos do trabalho. 

sábado, 11 de novembro de 2023

Show do RBD

Eu estava sozinha no dia que vai ficar marcado na minha história. Saí de casa ainda sem saber se acertaria o caminho e se haveria arrastão na volta. Mas nada disso importava, eu peguei um livro, coloquei na bolsa e fui, mesmo com medo, mesmo ainda sem saber se entraria no estádio, porque até esse risco eu corria.

Eu sei que fui e que só abri o livro para pegar meu ingresso que passou. Fiquei completamente incrédula e depois só chorei. Afinal, ia acontecer, estava acontecendo desde janeiro na minha cabeça, eu só não estava colocando fé de que tudo daria certo. 

Então eu conheci desconhecidos e foi tudo bem, eu estava lá, eu cantei todas as músicas, eu chorei em algumas delas e ressignifiquei algumas letras. Músicas de amor são mesmo diferentes aos 10 e 28 anos. 

Nem nos meus melhores sonhos eu imaginava ver o RBD tocar. Se isso não foi um milagre, eu não sei que nome dar. Obrigada...

terça-feira, 17 de outubro de 2023

A primeira dose

 Hoje é um dia lindo para realizar sonhos. Vamos tomar um café e comemorar mais esse passo, que não é o primeiro, já que você vem se esforçando tanto todo esse tempo em mil médicos e burocracias. Estou muito feliz por você, tenho muito orgulho de você, Tai.



terça-feira, 20 de junho de 2023

Um mês para meu aniversário

 O que eu consigo fazer em um mês?

O que eu quero fazer antes de terminar esse ciclo?


- Fazer uma lista do que quero fazer até o próximo dia 20.

- Lavar a alma do meu quarto.

- Decidir a roupa que vou colocar. (coloquei uma aleatória)

- Participar do processo de mestrado da UERJ Maracanã. (esqueci)

- Não surtar toda semana com meu trabalho kkkkk (surtei)

- Limpar meus sapatos. (não limpei)

- Organizar finanças e programa de aulas. (me perdi nos horários)

- Fazer uma receita. (não fiz)

- Ler um pouco mais. (não consegui chegar na estante)

Minimalismo

 Depois de ver muitas séries de arrumação e minimalismo, começo a me despedir de algumas coisas. É um trabalho difícil. O que a Marie Kondo (santa Marie Kondo) faz com as pessoas é tipo um exorcismo, só que feito de um jeito bonitinho. 

Eu estou nessa há anos. Cada vez que arrumo o quarto querendo melhorar um pouco mais. Já pensando no futuro, já pensando mil coisas, vou me desfazendo aos poucos, vendendo uma coleção aqui, outra ali. Imagina colocar todas as minhas roupas de uma vez só em cima da cama, que terror. 

Espero conseguir me organizar, quero muito ter um ambiente de trabalho limpo e convidativo. Escrevo isso no meio da balbúrdia que está o meu quarto. Noutro dia estava pensando assim "eu já cresci tanto a ponto de não caber mais no meu quarto", não pela quantidade de coisas que tenho, mas pelo espaço que meu corpo precisa para viver, respirar. 

Uma tiny house (não muito tiny, com espaços bem definidos e divididos) já resolvia meu problema. É que ter uma coleção de louças japonesas dentro do meu armário não está me ajudando. Isso, é claro, perto das canecas e artigos de decoração do Mickey, das roupas que eu guardo porque um dia vou comprar uma máquina de costura e fazer peças novas a partir de tecidos velhos que tenho aqui. E, claro, dos mil casacos que não uso, porque 1. porque eu sou UMA pessoa e preciso de UM casaco de cada vez e 2. porque moro no fucking Rio de Janeiro e aqui, meu bem, nunca é necessário usar casaco. 

Dito isto, reservo aqui minha vontade de fazer um amigurumi da Marie Kondo num padrão de santinha de igreja católica.  


terça-feira, 25 de abril de 2023

Um por mês

 Eu adoro essas coisas. Adoro fazer planos periódicos, adoro tudo aquilo que vai virar uma coleção de memórias no final do ano. Quando menina, gostava de juntar moedas num cofrinho "para abrir no final do ano e comprar um presente legal com as economias". Sempre fui o tipo de pessoa de fazer "listas de objetivos para o próximo ano" e dar uma olhadinha nela para ver como tenho caminhado de meses em meses. Eu também inventei de fazer uma capsula do tempo com uma carta para mim mesma e abri-la de 10 em 10 anos, começando a primeira abertura aos 27. 

Ano passado inventei de tomar um café gostoso de cafeteria todo mês. Qual será a proposta de 2023 além dos objetivos da lista de ano novo? Já estamos quase em maio e o tempo passou voando. Mas ainda não é tarde para estabelecer uma tradição de 2023... Pensei em tentar ir a lugares legais e diferentes uma vez por mês para ler ou fazer crochê. 

Gostei dessa proposta, acho que vai ser essa mesmo. E o primeiro lugar vai ser o palácio do Catete. Como foi bom no ano passado! Houve um encontro piquenique de crocheteiras e eu ganhei dois novelos de linha, fiquei toda boba. Um desses novelos virou dois estojos, um pra mim e outro pra minha mãe. O outro novelo ficou de presente para Bruna que quis aprender a fazer crochê (e se desenvolveu muito bem) para o aniversário de 5 anos da Nininha. 


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Palavra nova, professor do passado

Memoricida.

Acho que vai ser mais uma das palavras que você diz e vai ficar por longos anos na minha cabeça. Mais curioso é o tema da memória e o significado da palavra de hoje.
Max

domingo, 19 de fevereiro de 2023

Diário de uma concurseira Dia 29

 Todos os dias vem um beija-flor na minha janela. Será que tem um ninho no telhado do prédio? Será que devo colocar aquele negócio de plástico com água dentro pra ele beber? Vou pesquisar, mesmo que isso interrompa a vídeo aula dificílima de conhecimentos bancários.

Deus google diz "O mais indicado para a alimentação artificial de beija-flores é combinar quatro partes de água previamente filtrada com uma parte de açúcar. Dando um exemplo prático com números, numa mistura de 100 ml deveremos ter 20 ml de açúcar e 80 ml de água."

Diário de uma concurseira dia 28

 O professor de matemática MUCHO LOCO. 

Ele deve ter seus 50 e tantos anos? É. Mas é muito engraçado e sensato. Faz piada como quem fala a verdade e a gente ri porque a verdade é assim, quanto mais se fala sobre ela, menos se acredita e então vira piada. Comecei a tomar nota das coisas que ele fala, por motivos óbvios. 

1) Ah, você não gosta de fazer conta com vírgula? Não faz com vírgula. Depois você coloca. 

2) Aquele aluno tosquinho vai chegar e falar assim "AH, PROFESSOR, MAS EU NÃO FAÇO DESSE JEITO AÍ NÃO." Agora vai fazer.

3) Para com esse negócio de falar JUROSSSSSSSSSSSSS. É JURO. REPETE, "JURO". 

4) Era uma vez um patrimônio que ganhou um aumento de 60%...

5) Olha aqui, Papudo. (cara, de onde saiu esse "papudo"? minha mãe também fala isso às vezes. Pesquisando na internet por bordões com "papudo" encontrei que o personagem "Bento Carneiro" de Chico Anísio falava isso.)

6) SOMAR NÃO EXISTE. Produtar existe? Existe SOMA e PRODUTO. O nome da operação é ADICIONAR.

Depois de tudo isso, além de ficar mais doida e um pouquinho menos ignorante em matemática, saí com a dúvida "Capital inicial, a banda, tem relação com matemática? De capital inicial investido?" 

 

Diário de uma concurseira Dia 6

Às vezes, durante as aulas, minha mente viaja. Não porque a aula está chata, mas porque vem uma ideia nova à cabeça. É curioso porque há muito tempo as ideias para novas histórias não me visitam e agora, que eu preciso de toda atenção e foco, elas se apresentam brilhantes e transparentes como vidro.

Dessa vez foi assim, eu estava na aula de informática. O professor falava sobre protocolos de e-mail, sobre as diferenças entre o POP3 e o IMAP. 

No POP3, o cliente de email baixa as mensagens e as apaga do servidor. É o sistema mais usado, dá mais espaço para o servidor. No IMAP, é possível acessar as mensagens diretamente do servidor, podendo baixá-las ou não. É mais novo, melhor para o ambiente corporativo, porque facilita o acesso às mensagens quando o colaborador tem que usar mais de uma máquina. 

Beleza. No meio de tudo isso, veio assim na minha cabeça 

"Era uma vez um aplicador de provas de concurso público. No começo de sua carreira aplicando provas ele ficava muito desesperado vendo coisas que iam além de folhas de papel, canetas azuis e pretas de corpo transparente e corpos humanos a sua frente. Ao mesmo tempo que isso que ele via se mover pela sala, translúcido e coletivo, o causava pavor, trazia também fascinação. Por isso, ele continuou trabalhando com isso. Depois de anos formados apenas por domingos eternos de observação ele estava sério. Esperou o último candidato sair em trio, como sempre, para então questionar: por que, Deus, tantos candidatos saíam da prova e não levavam consigo sua confiança? Elas ficavam vagando pela sala até escapulir pela janela e encontrar seus determinados corpos."

A princípio essa ideia veio na forma de uma crônica, mas por haver esse elemento fantástico, talvez seja melhor transformar num conto. 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Diário de uma concurseira Dia 17

 Minha rotina está tão rotineira que até o meu cocô está saindo na mesma hora e com o mesmo tamanho.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Diário de uma concurseira Dia 16

O professor de português personagem live action. 

"Não, porque eu vou conjugar aqui o verbo "reaver" no pretérito perfeito. Não é "reavi" do jeito que vocês falam. (...) Sim... Na minha época os professores eram mais exigentes, por isso que eu falo dessa maneira. Mas foi bom."

Até quando? Estou farta desse "eu"                                                                                           




                                                                                                                     "vocês".

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Diário de uma concurseira Dia 14

Começo no décimo quinto dia de estudo por razões óbvias para quem já ouviu falar sobre o que é estudar pra concurso: na primeira semanas eu não tive tempo nem para lavar o cabelo tamanha neurose de cumprir o cronograma sugerido pelo cara X, Y, Z do Youtube que passou em cinquenta e sete concursos. 

Na segunda semana houve um desequilíbrio entre o tempo que eu achava que tinha que descansar e o tempo que eu precisava estudar e acabei (acho) descansando mais do que deveria. 

Muito bem, estamos no dia 14. Eu me sinto animada, certa de que estou me esforçando, mas ainda com a ideia de que não é o bastante. Ao mesmo tempo me pergunto, algum dia vai ser o bastante? Alguma vez eu senti que tinha feito o bastante? 

Tenho demandas do trabalho para entregar, tento fazer o meu melhor. Os alunos merecem uma boa aula, eu mereço sentir que estou fazendo todo o possível para que aprendam de forma contextualizada, coerente. Tenho demandas de estudo, estou me policiando para me dar tempo de qualidade e aprendizado.  

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Illiana

Comecei a ver mais uma série aleatória na Netflix. Bom, não tão aleatória assim, é uma série que fala sobre etiqueta. Etiqueta e muitas outras coisas. Entendi que as pessoas que buscam as aulas com a professora chinesa estão com algum problema de autoestima e pensam que a etiqueta vai deixá-los mais centrados, de alguma forma.

Claro que assisto tentando tirar o máximo de conteúdo das pessoas. A moça do último episódio que resolvi assistir era latina, tinha acabado de ter uma filhinha e estava se sentindo mal com o peso que tinha ganhado durante a gestação e ainda não tinha perdido. A moça chinesa que é a professora e eu ainda não decorei o nome ensinou várias coisas para Illiana (o nome da participante latina entrou facilmente na minha cabeça, incrível). 

Ela disse que a comida mais sexy do mundo é sushi, adorei isso. Ela também perguntou à participante quando tinha sido a última vez que ela tinha se sentido sexy. Illiana acabou se emocionando, o programa seguiu e eu fiquei me perguntando a mesma coisa. Tanto que o episódio acabou e eu vim escrever.

Quando foi a última vez que me senti sexy? Não consigo me lembrar. Hoje, por coincidência a Bruna disse que eu escondo demais o corpo, que eu cubro demais e que por vezes os seios acabam parecendo maiores de tanto cobrir. 

Acho que vou começar a exercitar um pouco mais do meu lado sexy. E talvez seja bom começar a pensar em uma atividade física pra me ajudar a focar um pouco mais no meu corpo.