Eu tinha 30 anos e estava vestindo uniforme escolar novamente, caminhando em direção ao Lobo da Cunha. A escola era eterna, determinada que as pessoas fossem em diferentes etapas da vida, estudar diferentes coisas. Quando criança, foco em arte, alimentação e educação física. Depois de maiorzinho, matemática voltada para o dia a dia, impostos, contas, financiamentos, juros, administração de patrimônio. Mas depois de velho, o que se estudava na escola era filosofia mesmo. Já imaginou? Escola pra sempre e uma turma de cabelo branco filosofando? Acordei.
O passarinho me contou
quarta-feira, 1 de julho de 2026
terça-feira, 23 de junho de 2026
Querida Lu,
Andei muito triste, muito revoltada, muito agoniada com a vida nos últimos meses. Andei muito... Como os adultos mais adultos que conheço.
Como uma cartada de fé, peguei pra ver Naruto.
O cheiro do café puro toma conta do quarto, reconheço as vozes dos personagens, já sei de cor os bordões e o que vai acontecer e acabo me emocionando novamente com o mesmo episódio... Como é bom estar em casa.
quinta-feira, 21 de maio de 2026
quarta-feira, 20 de maio de 2026
propofol
Descobri que tomei o remédio que supostamente matou o Michael Jackson para fazer uma endoscopia. Antes de tomar, colocaram o acesso com a agulha. Fiquei muito nervosa, muito ansiosa, chorei. Mas não me dei conta quando colocaram a substância, as pessoas estavam conversando normalmente sobre as próprias vidas, acho que para me distrair. Ou não, não sei.
Eu nem senti quando comecei a dormir. Igual mesmo quando pego no sono à noite. Mesmo sendo uma sensação idêntica, foi só por causa disso que me veio essa pergunta: "Será que morrer é assim?". O sofrimento do medo anterior ao sono foi sentido, a dor da picada foi sentida, o sono em si não. Morrer deve ser assim.
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Palavras da Gina
terça-feira, 5 de maio de 2026
Só por hoje
Só por hoje eu não vou pensar no meu trabalho de forma negativa nem criticar toda e qualquer linha que eu escreva fora dos meus padrões imaginários e inalcançáveis.
Só por hoje eu não vou acreditar em tudo que meu cérebro doente imagina.
Só por hoje eu vou diminuir o número de estímulos para que minha cabeça, minha criatividade, minha sanidade se mantenha. Vou trabalhar direitinho, na medida do que eles merecem de mim, e em seguida guardarei a minha essência vital feminina e maravilhosa para aquilo que importa, para aquilo que realmente interessa.
Só por hoje não vou me arrepender de colocar limites e mostrar ao outro que comigo as pessoas não podem falar de qualquer maneira, que não se consegue um favor com piadinhas e deboches. Não sou esponja, não sou psicóloga.
Só por hoje eu vou fazer um chá à tarde e bebê-lo morno, sentindo o gosto do mato, me alimentando da esperança de renascimento que vem da terra e entra no meu corpo.
Só por hoje vou me cuidar pra que amanhã seja um dia bom.
Experiência de quase esquizofrenia
Sinto que preciso escrever muito sobre isso. Muito. Já escrevi e ainda não foi o bastante. Escrever para organizar, para que o universo organizado das palavras me ajudem a organizar a mim mesma, como diria Candido, como dia Bartolomeu Campos de Queiroz.
Desassociei.
Eu-lírico, livre arbítrio, tudo isso ganhou corpo depois dessa situação. Tudo isso e também o conto do Edgar Alan Poe do corvo que diz Nevermore, nevermore. Vou tatuar esse corvo.