Mostrando postagens com marcador Frases. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Frases. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 5 de maio de 2026

Só por hoje

Só por hoje eu não vou pensar no meu trabalho de forma negativa nem criticar toda e qualquer linha que eu escreva fora dos meus padrões imaginários e inalcançáveis.

Só por hoje eu não vou acreditar em tudo que meu cérebro doente imagina. 

Só por hoje eu vou diminuir o número de estímulos para que minha cabeça, minha criatividade, minha sanidade se mantenha. Vou trabalhar direitinho, na medida do que eles merecem de mim, e em seguida guardarei a minha essência vital feminina e maravilhosa para aquilo que importa, para aquilo que realmente interessa.

Só por hoje não vou me arrepender de colocar limites e mostrar ao outro que comigo as pessoas não podem falar de qualquer maneira, que não se consegue um favor com piadinhas e deboches. Não sou esponja, não sou psicóloga.

Só por hoje eu vou fazer um chá à tarde e bebê-lo morno, sentindo o gosto do mato, me alimentando da esperança de renascimento que vem da terra e entra no meu corpo. 

Só por hoje vou me cuidar pra que amanhã seja um dia bom.  

 

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Solo de guitarra

 Quando um artista faz um solo, interrompe-se tudo o que foi programado, suspende-se a cuidadosa combinação de acordes e a melodia. Não há ritmo cadenciado, não há uma lógica pautada pela razão que ordene as notas e ainda assim, reconhece-se o solo como uma extensão da música, do músico. O solo é o momento em que os sentimentos se expressam livremente e o caos é o grande comunicador.  

O primeiro solo de guitarra que me vem a cabeça é o de O tempo não para do Cazuza. E você?

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Rebecca

O universo seria muito filho da puta se você beijasse mal tendo uma boca dessa.

00:00 

Numa cama de solteiro que se fez grande, numa casa, numa Vila, no bairro de Vila. Licor de amora do pé da varanda. Meu deus do céu, que café bom. Vou cair de novo, ta tudo rodando. Mas a dança é tão boa, parece tântrico. Feliz aniversário pra mim. Preciso voltar a frequentar as reuniões, estou chegando no ápice, eu posso sentir, no auge do transtorno, bem ali no abismo entre a noção e a falta dela. 

To cantando pra rosa que você me deu. Ta cômico. "Ahora te enseño de dónde vengo / Y las heridas que me dejó el amor". As pétalas agora estão ressecadas e mudando de cor. Despetalei-a toda, coloquei num pote de vidro, como é que pode? Ainda é muito bonito.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

A reprodutibilidade inútil da moldura

Eu não quero ler o que dizem que a Clarice Lispector disse num post de Instagram bonito do Canva. Eu quero ler o que ela disse, no livro dela, porra. 


sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Xingamento - Gregório Duvivier

 Puta, piranha, vadia, vagabunda, quenga, rameira, devassa, rapariga, biscate, piriguete. Quando um homem odeia uma mulher — e quando uma mulher odeia uma mulher também— a culpa é sempre da devassidão sexual. Outro dia um amigo, revoltado com o aumento do IOF, proferiu: "Brother, essa Dilma é uma piranha". Não sou fã da Dilma. Mas fiquei mal. Brother: a Dilma não é uma piranha. A Dilma tem muitos defeitos. Mas certamente nenhum deles diz respeito à sua intensa vida sexual. Não que eu saiba. E mesmo que ela fosse uma piranha. Isso é defeito? O fato dela ter dado pra meio Planalto faria dela uma pessoa pior?

Recentemente anunciaram que uma mulher seria presidenta de uma estatal. Todos os comentários da notícia versavam sobre sua aparência: "Essa eu comeria fácil" ou "Até que não é tão baranga assim". O primeiro comentário sobre uma mulher é sempre esse: feia. Bonita. Gorda. Gostosa. Comeria. Não comeria. Só que ela não perguntou, em momento nenhum, se alguém queria comê-la. Não era isso que estava em julgamento (ou melhor: não deveria ser). Tinham que ensinar na escola: 1. Nem toda mulher está oferecendo o corpo. 2. As que estão não são pessoas piores.

Baranga, tilanga, canhão, dragão, tribufu, jaburu, mocreia. Nenhum dos xingamentos estéticos tem equivalente masculino. Nunca vi ninguém dizendo que o Lula é feio: "O Lula foi um bom presidente, mas no segundo mandato embarangou." Percebam que ele é gordinho, tem nariz adunco e orelhas de abano. Se fosse mulher, tava frito. Mas é homem. Não nasceu pra ser atraente. Nasceu pra mandar. Ele é xingado. Mas de outras coisas.

Filho da puta, filho de rapariga, corno, chifrudo. Até quando a gente quer bater no homem, é na mulher que a gente bate. A maior ofensa que se pode fazer a um homem não é um ataque a ele, mas à mãe — filho da puta- ou à esposa — corno. Nos dois casos, ele sai ileso: calhou de ser filho ou de casar com uma mulher da vida. Hijo de puta, son of a bitch, fils de pute, hurensohn. O xingamento mais universal do mundo é o que diz: sua mãe vende o corpo. 1. Não vende. 2. E se vendesse? E a sua, que vende esquemas de pirâmide? Isso não é pior?

Pobres putas. Pobres filhos da puta. Eles não têm nada a ver com isso. Deixem as putas e suas famílias em paz. Deixem as barangas e os viados em paz. Vamos lembrar (ou pelo menos tentar lembrar) de bater na pessoa em questão: crápula, escroto, mau-caráter, babaca, ladrão, pilantra, machista, corrupto, fascista. A mulher nem sempre tem culpa.

https://m.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2014/01/1393513-xingamento.shtml 

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

A poeta média 6

Não sei fazer rima, não sei transcender no belo do verso, saio escrevendo a esmo aquilo que vem a cabeça, escrevo enquanto o rosto ainda está quente e os dedos se revezam entre o teclado e o backspace.

Falo de mim, falo de ti e de mim novamente. Nada disso interessa para o mundo inteiro, mas é muito pro meu pequeno universo. Qual é o valor do texto escrito por um coração ordinário? Quanto se sabe do preço de um sentimento? 

terça-feira, 23 de julho de 2024

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Martha Medeiros, de novo

 Nada como ter poesia no cardápio. Só ela consegue tornar palatável a crueza das nossas dores.

quarta-feira, 15 de maio de 2024

As tecituras

Um artigo científico da Letras é como um trabalho de crochê. Fazer as partes demanda muita paciência.

Fazer já costurando é muito mais difícil.

Espólios 1

Senti o cheiro do verão no seu cangote, o cheiro do frescor, do café com pão de que me alimentaria todos os dias com a mesma satisfação, de manhãzinha, à tarde ao por do sol e à noite, na ceia. 

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Linhas, agulhas e alfinetes

 — Ora agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá. – disse a linha para a agulha.

Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha: — Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.

Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça: — Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!

ASSIS, M. Um apólogo. In.: Várias histórias. Londrina: 2021

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Nomenclaturas 2

 Não se importe com o nome, só continue escrevendo. Quem gosta de nome é gramático e nós somos literários.

domingo, 21 de janeiro de 2024

Nomenclaturas

Eu não sei o nome do que escrevo, mas continuo escrevendo mesmo assim. 

É como não saber o nome do que se sinto pra explicar à psicóloga, e continuar sentindo mesmo assim. 

Madalena essa semana me arrebatou com as palavras. Tomei nota desesperadamente das frases que ela falava, não por ser relevante para o meu projeto, mas porque estava sendo relevante para mim, ela disse, num contexto em que as palavras se faziam urgentes para as pessoas e que eu não vou conseguir replicar aqui a intensidade de como essa frase recaiu sobre mim: "Tudo é uma questão de dar nome, Mariana". 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Bobinha

Sabendo como eu sou, vou lembrar dessa história para o resto da vida. Espero conta-la pra Catarina a tempo dela não virar uma garota boba, como eu.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

A eternidade das coisas

 Houve breves momentos em que acreditei estar diante do entendimento de conceitos como "para sempre" e "nunca mais". Eles foram: o dia em que fiz minha tatuagem e quando descobri a primeira traição. Já se passou algum tempo desde então e acabei usando essas expressões fortes da boca pra fora, para me referir a situações das quais já nem me lembro.

No entanto, até os dois momentos que melhor resumiam o "sempre" e o "nunca" sofreram um tipo de metamorfose. Percebi que podia, em alguns anos, modificar minha tatuagem, pintá-la em aquarela ou mesmo cobri-la. Quase que por consequência, me veio a cabeça a possibilidade de perdoar a pessoa que me traiu.

E, assim, perceba, até nos exemplos mais canônicos, a eternidade se perde.

domingo, 10 de dezembro de 2023

Gregor, é você?

Às vezes acho que todas as baratas voadoras que aparecem no verão vêm para se vingar de todas as vezes que eu reclamei do Kafka na faculdade. 

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Três meses para quatro dias

 Meu coração se transformou numa passista de escola de samba no momento em que te vi de longe, ainda pegando as malas. Não tinha dúvidas, era você. E olha que eu não sei nem sambar, e olha que só vi passistas pela televisão.

Depois de uma breve e desesperada conversa com o Guimarães sobre ninguém estar com flores no aeroporto, e eu com três girassóis imensos, engoli a vergonha e acenei pra vocês. Mas, quem se importa? "Só se vive uma vez". 

A verdade é que se fecho meus olhos, consigo ver detalhes bem pequenos dessa viagem, posso narrar cada um deles. Por muitos dias fiquei imaginando como seria invadir o seu banho e fazer carinho com o sabonete, com a água caindo. Engoli a vergonha e entrei, "só se vive uma vez". 

Mesmo estando na primavera, os dias foram curtos e as noites longas. Era difícil colocar a cabeça no travesseiro e saber que as distancias tinham se encurtado. Era só um Uber, era só pegar o metrô. Foram dias muito felizes, eu só queria te ver feliz. Depois de muito engolir vergonhas, não consegui engolir o choro, desculpe por isso. É que ao contrário do "só se vive uma vez" que é um pensamento motivador, "eu não sei quando vou te ver de novo" é bastante assustador.

Muito obrigada por tudo, muito obrigada pela sua companhia, carinho e esforço. Obrigada pelas conversas, pela preocupação, por ter vindo, por ter se desafiado, por ter confiado em mim para me contar pensamentos tão íntimos, por ter se entregado. 

Nunca fui triste.

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

Opa, opa pegou Neeko errada

 Queria muito escolher as melhores palavras e tomar as atitudes mais acertadas. Queria ser mais que mediana, quem sabe um pouco mais assertiva e menos faladora de bobagens. Mas estou aqui, só sendo eu, fazendo coisa de eu, coisa não suspeita. Não é Neeko, Neeko? Neeko é a melhor opção. Eu também.