quarta-feira, 15 de maio de 2024

O alimento

 A gratidão me salvou de mim mesma. 

Sentir o sabor do queijo devagarinho e o creck do pãozinho recém saído da torradeira. É um dos momentos altos do meu dia. O café com leite, morno na temperatura ideal que não me queima, é o líquido mais simples e precioso, disputando espaço no meu coração apenas com o bubble tea.

Quando você se dá conta de que come alimentos frescos, de que come aquilo que gosta, de que você pode inclusive escolher, entende o que é riqueza. Café da manhã, almoço, lanche, janta, tudo isso alimenta também a alma.

Miguel está sempre comendo pizza. E ele ama, parece um Tartaruga Ninja. Nunca vi alguém para gostar tanto de pizza na vida. 

A comida em Studio Ghibli, a comida em "O oceano no fim do caminho", a comida na minha família, na família dos meus amigos. A comida que o Rafa anseia fazer para receber os amigos na casinha que sonha ter. 


Recomendações:

Cooked

Tomando te, Chava Flores  

Chiki ori

Street food Asia/Buenos Aires

Espólios 2

 O que tem de brechó no Centro de Curitiba não é brincadeira. A proporção de brechós lá é similar a de sebos na Argentina. Sei lá porquê, a organização das ruas, os prédios baixos e sua arquitetura também me lembraram a capital bonaerense. É porque já fui um par de vezes a esses lugares? É por serem realmente parecidas? 

Estão aí dois lugares para os quais eu voltaria muitas e muitas vezes.

As tecituras

Um artigo científico da Letras é como um trabalho de crochê. Fazer as partes demanda muita paciência.

Fazer já costurando é muito mais difícil.

Espólios 1

Senti o cheiro do verão no seu cangote, o cheiro do frescor, do café com pão de que me alimentaria todos os dias com a mesma satisfação, de manhãzinha, à tarde ao por do sol e à noite, na ceia. 

segunda-feira, 13 de maio de 2024

Poema aos homens do nosso tempo

Enquanto faço o verso, tu decerto vives.
Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue.
Dirás que sangue é o não teres teu ouro
E o poeta te diz: compra o teu tempo.

Contempla o teu viver que corre, escuta
O teu ouro de dentro. É outro o amarelo que te falo.
Enquanto faço o verso, tu que não me lês
Sorris, se do meu verso ardente alguém te fala.

O ser poeta te sabe a ornamento, desconversas:
“Meu precioso tempo não pode ser perdido com os poetas”.
Irmão do meu momento: quando eu morrer
Uma coisa infinita também morre. É difícil dizê-lo:
MORRE O AMOR DE UM POETA.

E isso é tanto, que o teu ouro não compra,
E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto
Não cabe no meu canto.


HILST, H. In: Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão. São Paulo: Companhia das letras, 2018.

quinta-feira, 9 de maio de 2024

Vovó Bernardina

Vovó Tardina dizia que não se importaria em morar num cortiço, se todos os familiares morassem ao redor dela. Era engraçado vê-la falando "curtiço", tá gravada na minha memória a voz dela falando "fi-inhu de vó" e o jeitinho que ela se emocionava toda vez que via "Dois filhos de Francisco". 

Feliz dia das mães, vó. 

quarta-feira, 8 de maio de 2024

Dias perfeitos

"Aparentemente simples em sua superfície, o filme é de uma riqueza inesgotável de sentidos e sensações. Uma sinopse possível diria que o que se narra ali são alguns dias na vida de Hirayama (Koji Yakusho, prêmio de melhor ator em Cannes), um homem solitário e lacônico de meia-idade que trabalha limpando banheiros públicos em Tóquio. 

Hirayama cultiva afeições anacrônicas: faz fotos com uma câmera analógica, ouve canções internacionais dos anos 1960 e 70 em fitas cassete, colhe mudas de plantas no bosque, etc. Mas não é alguém fora de seu tempo, muito pelo contrário. “Falam tanto em décadas e esquecem o minuto e o milênio”, dizia Caetano Veloso em seu “Manifesto do Movimento Joia”. Hirayama está pousado de corpo e alma no minuto e no milênio."

Disponível em: https://ims.com.br/blog-do-cinema/dias-perfeitos-por-jose-geraldo-couto/

To morrendo de vontade de ver esse filme, morrendo de vontade de falar ainda muitas vezes sobre a rotina e o encanto.