Com o tempo, percebi que, quando se reconhecia em mim, minha tia era dominada pelo afeto, mas, se identificava algum traço do meu pai, desconfiava que eu faria com ela ou com as pessoas que ela amava o que o irmão lhe fizera no passado. De resto, o mesmo acontecia comigo. Eu a achava extraordinária quando me imaginava uma adulta combativa, e repugnante quando reconhecia nela os traços do meu pai. Aquela manhã, pensei de repente em alfo que me pareceu insuportável e ao mesmo tempo divertido: nem eu nem minha tia nem meu pai podíamos eliminar nossas raízes comuns e, portante, acabávamos amando e odiando, dependendo do meu caso, sempre nós mesmos.
E. Ferrante.
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