segunda-feira, 19 de maio de 2025

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Estamos todos conectados

sem cabo, sem fio, só dados

Estamos todos conectados

arrobas, em live, online 

Estamos todos 


Estamos todos desconectados

sem tempo, sem feeling, só fatos

Estamos todos desconectados

exaustos, doentes, solitários

Estamos todos


check duplo e azul

quinta-feira, 8 de maio de 2025

O feminino

 Estive esta semana imersa em cuidados pessoais. Unha, sobrancelha, cabelo, tudo que eu tinha direito, afinal, é impossível assistir duas temporadas seguidas de Queer Eye e não pensar "sou uma diva". Nesses ambientes há sempre muita conversa, muita mesmo. Ouço com atenção, observo. 

As mulheres dividem muito. Dividem experiências como quem divide um pão, oferecem um pedacinho, te convidam a participar, a entrar na vida íntima de cada uma delas, partilhando histórias, emoções, sentimentos, mesmo sem nunca antes ter te visto na vida.

"Ainda tem pouco pai que quer ficar com a guarda da criança", "Tudo que é meu é da minha mãe também", "Não bebe água na escola, não bebe em casa, daqui a pouco tem uma coisa nos rins", "Ela nunca quis ser mãe, mas descobriu que estava grávida e me contou, arrasada. Ela tinha um combinado com o namorado que também nunca quis ser pai, mas agora está preocupada de ele não aguentar, terminar e ela ficar sozinha com a criança", "A mãe da filha do meu marido me denunciou na polícia, porque ela se queimou na panela de pipoca lá em casa", "Agora só se casa com separação total de bens, entendeu?".

E assim vou ouvindo, aprendendo, ouvindo e aprendendo. 


quarta-feira, 12 de março de 2025

Paola

The last of us, um vinho barato, um prato duralex com queijo picado.

É melhor eu esticar pelo menos a cama, não é? Recolhi do chão as camisinhas usadas. Fiquei olhando para aquele chão de taco tentando encontrar o momento em que me perdi. Sacudi a cabeça. Não faz mal, "lavou tá limpo." 

Eu estava escondida, entrava um vento fresco pela janela que só corre naquele bairro. Levei menos de um minuto para encontrar aconchego e encaixe na conchinha de um desconhecido, ele dormiu, eu quase. 

Querências

Quero dançar valsa no mercado e marcar com o grupo de crochê de nos encontrarmos no metrô para gravar um vídeozinho que está na moda. Quero encontrar minhas crianças de vinte anos pra tomar a edição limitada da coca cola numa praça de alimentação e perguntar a eles sobre como vão "os namoradinhos". Quero viver uma quarta-feira lentamente, ouvindo meu passarinho cantar pro tênis.

Queria que a casinha de pedra fosse minha, queria tanto.

Escrita criativa

 Os celulares, as redes sociais, as séries dos serviços de streaming, até as ideias de artesanato e culinária que vejo no Pinterest. Será que tudo isso está mesmo tirando a minha criatividade? Sentei para escrever o trabalho da faculdade e me dei conta de que apesar de ter o que dizer, simplesmente não sabia por em palavras e encadear em ordem lógica. 

Dei alguns passos para trás, peguei um caderno e fiz como quem escrever uma redação: listei tudo o que podia ser abordado e tentei organizar de forma que a costura fizesse sentido. Sinto uma enorme dificuldade em encaixar as informações e desenvolver criativamente o meu ponto de vista. 

Eu me pergunto onde está aquela pessoa que virava a noite escrevendo páginas e mais páginas de narrativas recheadas de reviravoltas. Por favor, venha me acudir, eu preciso de você. 

Leite de curral

Ganhei um pedaço de queijo no domingo passado e ele estava tão fresco que se despedaçou. Da metade da circunferência que era minha, grande parte desmoronou no saco, na volta pra casa. Ao chegar, tirei o soro e amassei os pedaços com um garfo. Pode virar um cotage, pensei. Uma camada disso com tomate assado... Estalei a língua. Depois de um dia comendo o queijo amassadinho, o pequeno pedaço quadrado que resistiu soltou ainda um pouco de soro e quando me dei conta ele estava liso, um pouco mais firme. Hoje consegui cortar com a faca, que queijo lindo. 
 

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Solo de guitarra

 Quando um artista faz um solo, interrompe-se tudo o que foi programado, suspende-se a cuidadosa combinação de acordes e a melodia. Não há ritmo cadenciado, não há uma lógica pautada pela razão que ordene as notas e ainda assim, reconhece-se o solo como uma extensão da música, do músico. O solo é o momento em que os sentimentos se expressam livremente e o caos é o grande comunicador.  

O primeiro solo de guitarra que me vem a cabeça é o de O tempo não para do Cazuza. E você?