sexta-feira, 23 de abril de 2021

Muro de chapisco ou de trepadeira?

A solidão nos deixa anestesiados. 

Eu me virei do avesso e o lado impermeável está pra dentro.

Como é triste lançar baldes numa superfície sólida

Que não se pode nutrir

Os sentimentos batem e escorrem, frustrados, no chão

Empoçam, inertes.

Não voltam pro balde, não penetram o muro, não são enxugados

Aguentam apenas a lenta jornada de evaporação.

Nesse jogo você pode ser a fortaleza ou o idiota que leva o escorregão.

Remetente e destinatário de paradeiros desconhecidos

 Eu ainda sinto muito. Espero um dia não sentir muito e sentir diferente. Diferente de um jeito que não haja culpa ou questionamento. Mas eu ainda não entendo porque teve que ser assim. Que uma chuva de bençãos caia sobre a sua vida e você não tenha tempo de colher o ressentimento que sei que carrega. Que sua riqueza de espírito seja ainda maior do que toda material que você espera, e eu sei que é muita.

Esse é o tipo de história que eu não quero lembrar com dor, não a sua, não a minha, não todo esse tempo. 

domingo, 14 de março de 2021

Marília de Dirceu

Lira XV

(...)

Propunha-me dormir no teu regaço
as quentes horas da comprida sesta,
escrever teus louvores nos olmeiros,
toucar-te de papoilas na floresta.
Julgou o justo Céu que não convinha
que a tanto grau subisse a glória minha.



Cartas de amor (parte 3)

 Agora entendo o porquê do meu dúbio sentimento em relação a elas. É algo que beira o arrependimento, mas tem orgulho da coragem que teve para ser produzida. Veja bem, por um lado, a pureza habita o momento da descoberta daquele que recebe, em forma de enxurrada, milhares de palavras cuidadosamente organizadas para falar-lhe em mil devaneios e voltas o que em resumo escreve-se "eu te amo". Por outro lado, quando porventura a relação acaba, aquela vontade de tomar de volta todas as palavras, deixar que pertençam apenas àquela distante fração de tempo em que foram escritas. Porque, se a pessoa lê de novo, anos depois de tudo ter dado errado, é como se visse eu me despindo novamente diante dela. E eu não quero que tenham acesso a esse momento mágico, a essa entrega total do meu corpo literário se não estão mais comigo. Mas... O que eu não entendo é a quem pertence essas palavras da carta de amor: a mim que senti, a pessoa que foi alvo, o papel que veiculou, ao espaço tempo que presenciou?  

 

Cartas de amor (parte 2)

 Estou tão envolvida com Antônio Candido que venho pensando em começar minhas cartas de amor com fundamentação teórica e citações diretas de espaçamento recuado. 

Meu amor, 

"As palavras organizadas são mais do que a presença de um código: elas sempre comunicam alguma coisa, que nos toca porque obedecem certa ordem."(CANDIDO, p. 180) Por essa razão, divido esta carta em: divagações iniciais, verdades incontestáveis sobre o amor, características que para mim são singulares, mas que todo apaixonado vê no ser amado e, por fim, juras ardentes e eternas.



terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Que belo ser fotografado, mas pelas retinas desses olhos lindos

 A memória é o melhor presente, é por isso que registramos, seja em texto, foto ou vídeo. Fecho os olhos e os abro; que bom que não se passaram anos numa piscada. 

Vou aproveitar para escrever sobre isso.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Carta pra você

 Me impressiona a sua força. E a sua resistência àquilo que acredita. Tenho orgulho do seu trabalho, do seu esforço e até da culpa que sente quando está se distraindo, mas pensando nas obrigações. A sua sensibilidade para manter as pessoas confortáveis e não incomodar, não causar mal estar ou impertinência. Admiro a sua fé múltipla e a maneira silenciosa de viver as crenças. E amo, amo de verdade, o seu amor sincero pelas pessoas, pelas coisas, pelos lugares e pelos animais.  

Estou junto de você. 

Obrigada pela companhia, te espero do outro lado do espelho.