quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Palavras ao vento, palavras pequenas, palavras apenas

Descobri que há uma relação entre a quantidade de palavras e a idade. No início, tudo é narrativa, você fala fala fala fala, lê lê lê, para alcançar uma ideia. Depois, vai ficando cismado, lê uma crônica e acha maravilhoso (até que as coisas breves são legais). Vai encurtando na palavra e aumentando no significado. A idade da poesia chega pra você. Pode ser até que você fale menos nessa fase da vida. Então a sabedoria anciã te chega e você consegue falar com os olhos. 

Um dia as pessoas vão falar de você, mas não por. Nesse dia você está pronto para ir embora e se tornar uma só palavra. 


Quero ver dizer que é só "de ligação"

Estou frágil

Sou fragmento.

Estou insegura.

Sou indefinição.

Estou ansiosa

Sou emoção.

Estou confusa

Sou turbilhão.

Estou preocupada

Sou mente.

Estou com saudades 

Sou paixão. 

 Estou arrepiada

Sou tesão.

Estou casulo

Sou borboleta.

Estou fora de mim

Sou dentro de você.


Verônica Lacerda, 2009

https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=69409

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Primeiro de dezembro de 2020

Rezo fortemente antes de dormir, junto as mãos pedindo por favor que permita minha cabeça parar de girar por um momento. No dia seguinte tomo uma decisão, eu a comunico, e ainda meio balançada recebo um e-mail.
Foi assim da outra vez que pensei sobre a mesma coisa. Um e-mail, uma oportunidade. Está certo que dessa vez foi um pouco diferente... Mas quem diria que depois do ano inteiro passando pelo processo seletivo e, já esquecendo que tinha sido aprovada, eles iriam me chamar pra algo em pleno dezembro?
É para entender como um sinal? 
Sendo sinal ou não, devo permanecer grata, 2020 não foi de todo mal. Agradeço de coração aberto por todo tipo de libertação que venho vivendo, pelas oportunidades e aprendizado. Eu esperava tanto desse ano e ele veio "escrevendo certo por linhas tortas". 
Mais trinta dias pela frente, estou pronta. 
 

Beija eu

 Licença Monte,

digo,

Marisa Poética,

digo,



segunda-feira, 30 de novembro de 2020

As duas que me saíram hoje, uma depois da outra porque ele obedeceu e depois chorou

Já disse

Vai lá ler a poesia

Alimenta 

Igual quando vó diz que é 

pra comer o legume  


Poesia é remédio

Seu choro

é efeito colateral

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Mar iana

Há dentro de cada um
Um oceano

Consigo sentir as minhas
marés
subindo e descendo

Consigo ouvir o barulho das minhas
ondas
em tempestades furiosas

Deságuam rios sobre o meu leito
E a água vem, cheia de vida
E a água vem, cheia de vida