Será que o nome disso que eu escrevo é escrevivência?
Preciso ler Conceição pra ter certeza.
Microconto
Trabalhou muito e não viveu.
Nanoconto
Trabalhou muuuuuuuuuu.
Pictoconto
Emoji correndo
Emoji vaca
Dinheiro voando
Grávida não
Praia não
Avião não
Casa não
Emoji correndo
"Era uma vez uma mulher que acreditava em meritocracia." Assim começaria um conto, se ele tivesse tempo de ser escrito. Se nós ainda vivêssemos num tempo em que havia tempo para ele ser lido.
Deveria existir um nome, como metalinguagem, para
Metatempo, pronto.
Não tenho tempo, não há tempo, estou sem tempo, preciso de um dia de 50 horas, sem tempo, irmão. Nossa, nem vi o tempo passar, mas como cresce rápido, pisquei é Natal.
Meta, corre, ciclo, faça, otimize. QUE SACO, CARALHO. Em março de 2025 já é quase 2026, em julho já é quase setembro. Para. Por favor, para.
Quando eu era adolescente, das mil coisas que inventei que queria e que seriam "maneiras", uma delas era conhecer todas as estações do metrô do Rio de Janeiro. Imagina descer em cada uma das estações por precisar ir a aquele lugar? Não por ter ido de propósito, saí de casa, fui, desci, vi, voltei. Não, ir mesmo. Ir para fazer algo naquele lugar.
Quando desci no Catete pela primeira vez achei tudo muito confuso, meio assustador até. Tinha muita gente na rua e aquela casa imensa em que o presidente se matou. Dizem que virou um museu e que quando você passa pela porta para entrar no quarto do presidente, toca uma musiquinha macabra. ui.
A Uruguaiana era outra que eu gostava de ir, mas nunca entendia como a minha mãe conhecia todas aquelas entradas, como ela não se perdia? Saia por um lado, entrava por outro e tudo dava no mesmo buraco. Incrível.
Lembro de quando precisei descer na Carioca pela primeira vez, foi para encontrar um menino. "Estou indo nas Lojas Americanas" anunciei antes de sair de casa. Eu tinha mania de andar a pé para cima e para baixo e era época de natal. Mas a Americanas ficava, tipo, 2 km da minha casa e a estação carioca, sei lá, muito mais que isso. A ida foi "estou numa aventuraaaa" e a volta "que ideia de merda, mds, vou ficar de castigo".
Mas a melhor história não é nem essa. A melhor de todas foi quando eu comecei a escrever fanfic e uma estudante da PUC me convidou pra uma iniciação científica lá. Foi o auge da minha ida ao metrô. Conversei com a moça pelo chat do site das fanfics e marcamos de nos encontrar pra conversar sobre a faculdade de letras. Na época eu ainda era colegial, mas já sabia que queria fazer esse curso. Ela me convidou para o lançamento de um livro no Flamengo. Falei com a minha mãe e ela deu uma ligeira surtada, dizendo que ia me levar, que podia ser um homem mal intencionado. Pois quando eu desci pela primeira vez na estação do Flamengo, lá estava a menina, também acompanhada da mãe.
Em algum momento, zerei as estações de metrô sem perceber, mas me lembro de algumas das histórias. Bom demais.
Nós lemos o mundo e damos sentido às coisas a partir das nossas afinidades. Cortázar relacionava a própria escrita ao jazz porque admirava a forma e os efeitos que esse ritmo musical em particular surtiam sobre ele e suas produções escritas. Eu leio Cortázar como uma colcha de fuxico porque a costura é uma forma de linguagem válida pra mim.
Meu amigo André vê o mundo a partir da gameficação e jogabilidade dos processos. Recentemente esteve na moda as "5 linguagens do amor" e como isso fez sentido para as pessoas. A moda, as roupas, a reciclagem, os brechós, o minimalismo, o vegetarianismo e o veganismo também são formas de expressão de discursos.
A cultura, seja ela qual for, é uma forma de linguagem. E através dessa linguagem nos relacionamos com o outro.
ZEREI O SÁBADO.
Trabalhar pra pagar um psicólogo e ter com quem conversar francamente por uma hora durante a semana. Horário marcado, tudo bonitinho, sem julgamentos. Ah, as delícias da vida adulta.