quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Memória afetiva

 Dei para acordar hoje com uma saudade do tempo em que passava o dia lendo revistas Witch, do tempo que sentia um sono incontrolável pela tarde quando voltava da escola e ficava chateada por acordar já com o sol posto, do tempo que eu me sentia livre saindo de casa e dizendo "estou indo a biblioteca, volto em uma, duas horas", do tempo que eu tinha aulas de espanhol segunda e quarta às 15h no CCAA - contra a maré de todos os amigos que estavam nessa mesma hora saindo do inglês.

Dei hoje para sentir saudade de um tempo que parece tão longínquo, mas que foi ontem. Da adolescência que passou e que está aqui tão vívida, tão latente, quase tão grande quanto meus pequenos grandes amores da época. Espero que essas memórias permaneçam comigo, doces, felizes. Para que eu volte nelas sempre que acorde desse jeito.  

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Iitoshi

Sigo encontrando xuxinhas no chão da rua. Sigo tendo sonhos estranhos com você e acordo querendo que você esteja cada dia melhor, bem e muito feliz. 

Sigo sem conseguir sentir por você o mesmo que sinto pelos outros. 

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Acrobata da dor, Cruz e Souza

 


Gargalha, ri, num riso de tormenta,
como um palhaço, que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
agita os guizos, e convulsionado
Salta, gavroche, salta clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta...

Pedem-te bis e um bis não se despreza!
Vamos! reteza os músculos, reteza
nessas macabras piruetas d'aço...

E embora caias sobre o chão, fremente,
afogado em teu sangue estuoso e quente,
ri! Coração, tristíssimo palhaço.


Publicado no livro Broquéis (1893).

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Produção de material didático

 Fui encarregada de criar 10 questões para o 6º ano. Quanto mais o tempo passa, menos sei como alcançar esses pequenos. Já nem sei se são assim tão pequenos, do que gostam, de que se alimentam, como sobrevivem? 

Rodo rodo rodo, tento puxar pela memória o meu tempo de quinta série e mal consigo me lembrar. Eu gostava de Chaves, de ver novelas, de canetas coloridas com cheirinho... Eu gostava de tanta coisa, mas não gostava das minhas provas de português. De repente porque a professora também não tinha uma boa memória e colocava no papel aquilo que ela gostava, não eu. 


CAVERNA
                      
Roseana Murray

Houve um dia,
no começo do mundo,
em que o homem
ainda não sabia
construir sua casa.

Então disputava
a caverna com os bichos
e era aí a sua morada.


Deixou para nós
seus sinais,
desenhos desse mundo
muito antigo.

Animais, caçadas, danças,
misteriosos rituais.

Que sinais
deixaremos nós
para o homem do futuro.

Meg

 A Meg me ensina que está tudo bem pedir carinho em todas as oportunidades em que a pessoa que você gosta estende a mão pra você. E que não podemos tocar nas asas dos outros, nem tentar impedir de voar. Ela também se arruma sempre, coloca as penas no lugar e passa o tempo que for até se sentir bem para não fazer absolutamente nada, nem sair da casinha. 

Meg gosta de ficar perto e olhando em silêncio. 

terça-feira, 15 de junho de 2021

A vontade de fazer coisa bonita em espanhol

 



Estava escrevendo uma breve brevíssima biografia de 8 linhas para um trabalho pós. O que falar sobre mim? Era livre, dois colegas anônimos já haviam escrito textos lindos e livres. Não estavam divididos em parágrafos, a linguagem não era presa, era tudo muito fluido. Colocaram inclusive músicas ao final e, por isso, me senti tranquila por querer colocar uma poesia e como material visual, uma foto com frase que gosto do TITANIC. 

Fui pesquisar uma imagem bonita, dessas "bem tumblr", com a frase em espanhol. Não encontrei. As fotos com essa tradução não estavam tão bonitas quanto as que havia em inglês. Pois eu fui, salvei uma imagem linda da Rose e fui até o Canva escolher o melhor design. 

A tecnologia da atualidade tem essa facilidade. Fiquei muito feliz por produzir algo tão bonito. A liberdade de criação me fez querer fazer o melhor.