quarta-feira, 12 de junho de 2024

Martha Medeiros, de novo

 Nada como ter poesia no cardápio. Só ela consegue tornar palatável a crueza das nossas dores.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Oi, junho

Seja bem-vindo, vamos tomar um café?  

Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.

Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.

E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;

E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.

BILAC, O. Ao coração que sofre. In: Antologia Poética. Porto Alegre: L&PM Pocket, 1997.

sexta-feira, 31 de maio de 2024

2024

É quase como se eu estivesse tentando ser uma paladina, quando era pra ser só uma druida maluca vagando por aí. 



quarta-feira, 29 de maio de 2024

Tema de pesquisa em linguística

A identidade da variedade carioca: palavrões como advérbios de intensidade. 

Num estado em que a frase "porra é vírgula" já pode ser considerada canônica, uma pesquisa científica para sistematizar o uso dos palavrões "porra e caralho" na posição de advérbio de intensidade, chocaria a academia. Mas... Por que não? Consigo visualizar uma carioca apresentando o trabalho na beca, alçamento de verbo isso, fatores socio-históricos, pá, diversidade cultural aquilo, apagamento da carga semântica chula e tal, para, no final, todos poderem dizer - sem receio - que "essa pesquisa é do krl".

Imagina? Eu consigo imaginááááá.

Querido Deus,

Obrigada por agir tão rápido, mesmo eu não merecendo. Mesmo eu não compreendendo o seu tempo. Num dia eu me vejo acuada, no outro o senhor manda uma joaninha vermelha, de pintinhas pretas, linda, subir nove andares de um prédio deselegante, no meio de uma cidade horrivelmente barulhenta, só pra me ver. Há muito tempo que eu não vejo uma joaninha, tanto, que eu já tinha esquecido o significado que tem uma joaninha pousar na gente. Mas eu sabia que era coisa boa; e ela era a joaninha mais perfeita que eu já tinha visto na vida. 

É muito difícil recuperar o fôlego (aliento), mas é mais difícil deixá-lo ir completamente quando tenho motivos vívidos para acreditar que há coisas boas por vir. Obrigada novamente.

sexta-feira, 24 de maio de 2024

Sentido

Eu quero mais é a dor de ser gente 

e esse medo macabro de já não o ser.


Quero a angústia de quem sente,

se ressente por sentir,

mas se dói dos insensíveis.


RIBEIRO, Nara. Sentido.