Eu não consigo me lembrar exatamente há quanto tempo lembrei de você pela última vez, mas não deve ter mais que quatro meses. Para os anos que correram desde a última vez que a vi na rua ou aqueles que foram soterrados desde a última vez que nos falamos, ou que eu senti vontade de gritar ou só matar você.
Querida, eu já não me pergunto porque ainda lembro de você. É um fato: Sua serventia ao aparecer na minha vida foi se tornar uma lembrança.
Você é uma dessas coisas que ficam melhor no plano da memória porque, a pesar de tudo, minha mente a transformou em algo amável, o que você sabe - mais que eu - que não é possível, nem se você tivesse outro nome, outro endereço, outro corpo, outra cara.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
10/12/2015
Há mais de um mês comecei esse texto e - claro - aquele velho fantasma do "vai ficar uma merda" veio me visitar. Mas, eu falei Buuu porque tenho a carta "Clérigo" e então não preciso enfrentar esse monstro nível 12.
"Descalça, em minha sóbria elegância, percorri o caminho de volta para nosso terreno. A memória trouxe imagens do passado: naquela terra havia frutas, força e perfume. A planta de um esconderijo para zumbis tinha se desenhado a prova de opiniões alheias...
Enquanto dos pés eu pouco sentia, em meu peito as fibras quase se arrebentaram. Sorte eu tinha - e muita - de não voltar sozinha.
Quando cheguei, você estava distraído, com cara de quem não sabia se prosseguia capinando o imenso espaço maltratado ou se colocava a mochila nas costas e simplesmente ia embora. Eu já não via o mesmo homem e, por pouco, não reconheci meu antigo lugar.
Havia uma casa pequena cujas paredes estavam desenhadas, escritas, com fotos e figuras penduradas. A tinta branca funcionava como rascunho para todas as ideias que ilustravam os nossos sonhos, o que planejávamos fazer naquela terra. Havia um violão, uma cadeira, uma mochila na varanda e a porta estava aberta.
O interior estava escuro... Não dava pra ver se tinha algo lá dentro. Ao redor dela, o mato crescia violentamente escondendo todas as minhas mudas de Jabô.
Meu coração palpitou e a minha irmã me segurou firme pelo braço.
- Quando você quiser eu te levo para casa. É só me falar, ta? Mas vamos tentar chegar lá pelo menos. Ele percebeu que não estava sozinho, Já estava com a mochila nas costas - a mesma - quando encontrou meus olhos marejados.
A reação dele foi esconder o rosto com as mãos e voltar-se de costas por alguns instantes. Aquilo me matou, achei que ele estivesse se lamentando por ter que me ver depois de tanto tempo livre desse incômodo.
Ele trocou palavras com a minha irmã, falou sobre um caderno da morte e eu tive ainda mais medo. Definitivamente minha presença era indesejada. Deus, como eu quis voar de volta pra casa para evitar um dia inteiro assim.
Minha irmã me alertou, disse que eu estava me precipitando e também que se o real interesse fosse me manter longe, ele não estaria há um metro de distância de mim.
Então eu fiquei e em menos de uma hora estava implorando pra ele não soltar minhas mãos (mesmo que fosse apenas para eu não cair no chão) e o mais impressionante foi que ele não soltou, está segurando até agora.
Nosso terreno está limpo, forte, cheio de mudas, de vida e, finalmente, do nosso amor."
"Descalça, em minha sóbria elegância, percorri o caminho de volta para nosso terreno. A memória trouxe imagens do passado: naquela terra havia frutas, força e perfume. A planta de um esconderijo para zumbis tinha se desenhado a prova de opiniões alheias...
Enquanto dos pés eu pouco sentia, em meu peito as fibras quase se arrebentaram. Sorte eu tinha - e muita - de não voltar sozinha.
Quando cheguei, você estava distraído, com cara de quem não sabia se prosseguia capinando o imenso espaço maltratado ou se colocava a mochila nas costas e simplesmente ia embora. Eu já não via o mesmo homem e, por pouco, não reconheci meu antigo lugar.
Havia uma casa pequena cujas paredes estavam desenhadas, escritas, com fotos e figuras penduradas. A tinta branca funcionava como rascunho para todas as ideias que ilustravam os nossos sonhos, o que planejávamos fazer naquela terra. Havia um violão, uma cadeira, uma mochila na varanda e a porta estava aberta.
O interior estava escuro... Não dava pra ver se tinha algo lá dentro. Ao redor dela, o mato crescia violentamente escondendo todas as minhas mudas de Jabô.
Meu coração palpitou e a minha irmã me segurou firme pelo braço.
- Quando você quiser eu te levo para casa. É só me falar, ta? Mas vamos tentar chegar lá pelo menos. Ele percebeu que não estava sozinho, Já estava com a mochila nas costas - a mesma - quando encontrou meus olhos marejados.
A reação dele foi esconder o rosto com as mãos e voltar-se de costas por alguns instantes. Aquilo me matou, achei que ele estivesse se lamentando por ter que me ver depois de tanto tempo livre desse incômodo.
Ele trocou palavras com a minha irmã, falou sobre um caderno da morte e eu tive ainda mais medo. Definitivamente minha presença era indesejada. Deus, como eu quis voar de volta pra casa para evitar um dia inteiro assim.
Minha irmã me alertou, disse que eu estava me precipitando e também que se o real interesse fosse me manter longe, ele não estaria há um metro de distância de mim.
Então eu fiquei e em menos de uma hora estava implorando pra ele não soltar minhas mãos (mesmo que fosse apenas para eu não cair no chão) e o mais impressionante foi que ele não soltou, está segurando até agora.
Nosso terreno está limpo, forte, cheio de mudas, de vida e, finalmente, do nosso amor."
15 anos
Quando eu morava em São Gonçalo, fazia viagens quase sempre com minha mãe e meu padrasto. Em uma dessas viagens conheci Casimiro de Abreu.
Eu era uma criança, estava na quarta ou terceira série primária. Não sabia quem tinha sido o cara, nem porque a cidade tinha o nome dele.
Durante a viagem fui a um recital de suas poesias e ganhei um livro de capa azul. Eu lia achando as rimas bonitas e não entendia grande parte do que o poema realmente queria dizer. Ah, isso não importava.
Eu só sei que lia o livrinho sentada na cadeira da sala. As refeições eram feitas na cozinha, a televisão da sala só era ligada quando eu queria assistir uma das minhas três fitas cassete: Oliver e sua turma, Aristogatas e A Dama e o Vagabundo. Então eu poderia ler em silêncio porque ninguém ia pra lá mesmo.
Já faz muito tempo, mas o único que eu entendi e fiz questão de mostrar pra minha mãe foi um que falava de uma debutante. A moça fazia quinze anos e havia leveza e uma simplicidade tão grande que eu conseguia entender.
Um tempo depois eu me mudei para o Rio e o livro foi perdido junto com o álbum de figurinhas das princesas Disney.
Eu não sei que poema é esse, mas hoje eu tive uma aula sobre Casimiro de Abreu e ele me pareceu - de novo - um cara muito simples, leve e fantástico.
Amor e Medo
(Casimiro de Abreu, 1858)
http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/pndp/pndp010728.htm
.
Eu era uma criança, estava na quarta ou terceira série primária. Não sabia quem tinha sido o cara, nem porque a cidade tinha o nome dele.
Durante a viagem fui a um recital de suas poesias e ganhei um livro de capa azul. Eu lia achando as rimas bonitas e não entendia grande parte do que o poema realmente queria dizer. Ah, isso não importava.
Eu só sei que lia o livrinho sentada na cadeira da sala. As refeições eram feitas na cozinha, a televisão da sala só era ligada quando eu queria assistir uma das minhas três fitas cassete: Oliver e sua turma, Aristogatas e A Dama e o Vagabundo. Então eu poderia ler em silêncio porque ninguém ia pra lá mesmo.
Já faz muito tempo, mas o único que eu entendi e fiz questão de mostrar pra minha mãe foi um que falava de uma debutante. A moça fazia quinze anos e havia leveza e uma simplicidade tão grande que eu conseguia entender.
Um tempo depois eu me mudei para o Rio e o livro foi perdido junto com o álbum de figurinhas das princesas Disney.
Eu não sei que poema é esse, mas hoje eu tive uma aula sobre Casimiro de Abreu e ele me pareceu - de novo - um cara muito simples, leve e fantástico.
Amor e Medo
(Casimiro de Abreu, 1858)
http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/pndp/pndp010728.htm
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Saber voar
Falar... (falar)
Que bom quando é pra ti...
Sonhar... (sonhar)
Faz a vida mais feliz
E as estrelas que não posso tocar
Estão tão perto, estão no seu olhar
Cantar... (cantar)
Que bom quando é pra ti
Ver teu sorriso também me faz sorrir
Ó estrela, não deixe de brilhar
Mesmo que tão longe sei que ela está lá
Mesmo que eu não te veja
Posso sentir quando pensa em mim
É como não ver o sol
Mas ter certeza que está lá
Transformando a noite em dia
Tristeza em alegria
E aquilo que era vazio
Foi embora pra não voltar mais
Queria saber voar
Pra lá do alto poder ver você
Te ver sorrir
Te ver sonhar
Coisas lindas quero te dizer
Se um anjo encontrar
Eu vou pedir pra ele te proteger
Ó estrela que me faz enxergar
Que a vida é linda de viver
Que bom quando é pra ti...
Sonhar... (sonhar)
Faz a vida mais feliz
E as estrelas que não posso tocar
Estão tão perto, estão no seu olhar
Cantar... (cantar)
Que bom quando é pra ti
Ver teu sorriso também me faz sorrir
Ó estrela, não deixe de brilhar
Mesmo que tão longe sei que ela está lá
Mesmo que eu não te veja
Posso sentir quando pensa em mim
É como não ver o sol
Mas ter certeza que está lá
Transformando a noite em dia
Tristeza em alegria
E aquilo que era vazio
Foi embora pra não voltar mais
Queria saber voar
Pra lá do alto poder ver você
Te ver sorrir
Te ver sonhar
Coisas lindas quero te dizer
Se um anjo encontrar
Eu vou pedir pra ele te proteger
Ó estrela que me faz enxergar
Que a vida é linda de viver
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
sábado, 2 de janeiro de 2016
2.016
Um sonho atrás do outro.
Esse ano começou com dez coisas que eu queria que tivessem acontecido em 2015. Dez coisas que foram sonhadas e re-sonhadas mil vezes. Eu sabia as falas, sabia os movimentos, conhecia cada consequência. Planejei tanto, vivi aquelas dez situações tão intensamente na minha cabeça que elas sequer tiveram coragem de acontecer. Não tiveram nem a chance de tentar se parecer com o que eu tinha sonhado.
Os sonhos precisam ser sonhados. As situações precisam ser pensadas, mas não a ponto de impedir que virem realidade. A expectativa pode manchar nossa visão e tirar o brilho das surpresas.
Eu não vou fazer uma lista de metas com prazos para esse ano, eu não posso - de novo - viver dentro da cabeça.
Nas primeiras horas de 2016 eu dormi e acordei olhando você e foi muito mais bonito do que ter sonhado com isso por toda minha vida.
Um passo atrás do outro.
Esse ano começou com dez coisas que eu queria que tivessem acontecido em 2015. Dez coisas que foram sonhadas e re-sonhadas mil vezes. Eu sabia as falas, sabia os movimentos, conhecia cada consequência. Planejei tanto, vivi aquelas dez situações tão intensamente na minha cabeça que elas sequer tiveram coragem de acontecer. Não tiveram nem a chance de tentar se parecer com o que eu tinha sonhado.
Os sonhos precisam ser sonhados. As situações precisam ser pensadas, mas não a ponto de impedir que virem realidade. A expectativa pode manchar nossa visão e tirar o brilho das surpresas.
Eu não vou fazer uma lista de metas com prazos para esse ano, eu não posso - de novo - viver dentro da cabeça.
Nas primeiras horas de 2016 eu dormi e acordei olhando você e foi muito mais bonito do que ter sonhado com isso por toda minha vida.
Um passo atrás do outro.
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