quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

O meu Nirvana, Augusto dos Anjos

No alheamento da obscura forma humana,

De que, pensando, me desencarcero,

Foi que eu, num grito de emoção, sincero

Encontrei, afinal, o meu nirvana!


Nessa manumissão schopenhauereana,

Onde a vida do humano aspecto fero

Se desarraiga, eu, feito força, impero

Na imanência da ideia soberana!


Destruída a sensação que oriunda fora

Do tato – ínfima antena aferidora

Destas tegumentárias mãos plebeias –


Gozo o prazer, que os anos não carcomem,

De haver trocado a minha forma de homem

Pela imortalidade das ideias

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