A enfermeira entrou com os remédios na luva. Ela se sentia muito esperta por não entrar no quarto da Gina com um copinho plástico de café, afinal, até um objeto inocente pode se transformar em arma na mão de uma pessoa perturbada. A mulher estava empoleirada na janela com um olhar atento, concentrado.
- Está olhando a árvore de novo? - perguntou a enfermeira.
- Quem foi esse que chegou agora? Mais um Napoleão? - disse apontando para o vidro em direção ao jardim.Uma pessoa caminhava pelo jardim de cabeça baixa, um paciente novo.
- Espera, não fala. Com essa postura não pode ser um Napoleão. Olhando bem... Me lembra você.
- A mim?
- É, com essa carinha de ex-funcionário do mês. - Gina sorriu pra enfermeira - Mas vou deixar que você se sinta especial enquanto pode. Você ainda acredita nisso, né?
As feições da enfermeira endureceram. Maluca, apenas uma maluca que não está medicada. Fazer aquele bicho engolir o remédio, sair dali e pronto.
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