Haverá o dia em que eu mesma lerei textos e poemas escritos em diários e aqui no blog e reconhecerei na escrita e no poético minha fuga da realidade. A realidade aqui referida pode ser: os meus pensamentos destrutivos, que modificam, de fato, o que está acontecendo, o cansaço do trabalho bem executado, especializado e mal remunerado, as dificuldades emocionais que são produto das relações humanas, as feridas já cicatrizadas da memória que não pulsam, mas são vistas.
É mesmo um pouco irônico da minha parte defender que a literatura não serve só como fuga se meu acesso, minha busca a ela se dá justamente ansiando esse conforto, esse acolhimento. Mesmo que eu pense sobre minhas questões da realidade, não estou nela, estou num lugar a parte, num mundo, meu deus, num universo que existe para o texto e eu.
Quando as coisas não estão fazendo sentido, eu corro pra cá, pra escrita. Sempre foi assim, sempre foi o meu lugar, o meu porto seguro. A minha psicóloga destacou isso de forma brilhante, disse, depois de me ouvir falar uns 45 minutos "O que você está querendo dizer é: se nada está fazendo sentido, então eu vou criar, é isso, Mariana?"
É isso. Se a literatura não existisse, certamente eu também não.